quarta-feira, 14 de março de 2012

Programa Esporte e Lazer da Cidade no DF


Projeto que deu muito certo

Programa do Ministério do Esporte leva várias atividades esportivas aos moradores de Ceilândia
O Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc), do Ministério do Esporte, é executado pelo Instituto Comunidade Participativa (ICP), em Ceilândia, e leva inúmeras atividades esportivas, cultural e de lazer à comunidade. Os resultados são evidentes.
O programa conta com alguns cidadãos, entre eles o presidente da ONG Instituto Cidade Participativa (ICP), Marco Fernandes Dias, os coordenadores Flávio Pereira de Aguiar e Marcos Bernardo da Costa, 24 anos, que ingressou há quatro, como bolsista, ensinando a arte do grafite. Há dois anos, está no
Marcos Bernardo, um dos coordenadores do projeto, orgulha das modalidades que oferecem, como o jiu-jitsu (acima). Segundo ele, o objetivo é atender o maior número de pessoas e tanto em Ceilândia quanto em outros núcleos a procura vem aumentando a cada dia
cargo de coordenador do projeto. Além deles, há os agentes sociais, pessoas credenciadas para ministrar as aulas. Eles passam por um curso de formação, que é dividido em três etapas.
Um dos coordenadores, Marcos Bernardes, acredita na força do projeto para a comunidade. “É uma oportunidade que muitos não têm. São várias modalidades que oferecemos: jump, spinning, pilates, alongamento, teclado, violão, judô, jiu-jitsu, kiuu jitsu, dança do ventre, entre outras. Nem todos dão valor, mas muitos a gente consegue trazer pra cá e, em alguns casos, até recuperar socialmente”, diz.
O coordenador conta que há pessoas que andaram do lado da criminalidade, mas que hoje participam do projeto. “Tem casos de cidadãos que já foram presos e hoje estão conosco. Eles nos procuram e a gente oferece a atividade que melhor se encaixa no perfil do aluno”, revela.
Localizado na QNM 21, conjunto D, lote 3, Ceilândia Sul, o ICP tem atividades de segunda-feira a sábado, o dia inteiro. Embora a sede fique em Ceilândia, há outros núcleos que funcionam em Taguatinga e Recanto das Emas.
Flávio Pereira Aguiar, também coordenador, diz que estão em atendimento, atualmente, 500 pessoas, de seis a 70 anos. Segundo ele, são cidadãos de todas as faixas etárias e o que mais emociona é poder ajuda-los. “Há casos de pessoas com depressão, pressão alta, crianças envolvidas na criminalidade, e todos usufruem das atividades gratuitas do Instituto Comunidade Participativa (ICP). Sabemos que ocorreram melhoras significativas mesmo porque também há um acompanhamento psicológico, caso seja necessário”, relata Flávio.
Sobressaltos
A cada fim de ano, os integrantes do projeto passam por sobressaltos, devido a alguns maus exemplos de péssima administração de recursos destinados às ONGs. “Muitas vezes, por causa de outros, algumas instituições que fazem um bom trabalho e buscam atender à sociedade não são vistas com bons olhos”, observa Flávio Pereira.
Segundo ele, não há como pedir ajuda à comunidade, pois o projeto deve oferecer as atividades gratuitamente, porém, faltam incentivos de grandes empresas. “Os empresários tem uma dificuldade muito grande em ajudar, por isso, ficamos à mercê de emendas parlamentares ou de projetos vinculados ao governo”.

Várias opções e tudo de graça

Promover ações, realizar parcerias e pensar em projetos viáveis que possam trazer benefícios para uma comunidade. Isso é tudo que se pede no âmbito social. Porém, há situações em que certas regiões já sofreram tanto com descasos, que muitos custam a acreditar que algo tão bom possa ocorrer à sua volta.
Assim é o Instituto Comunidade Participativa (ICP). São tantas as opções para a população que muitos até ficam com um pé atrás. “Tem gente que passa aqui, vê as modalidades que oferecemos e, quando sabe que é de graça, fica meio desconfiado. Mas a gente tem o maior prazer em dizer que só precisa vontade para vir pra cá, o resto é tudo por conta do Ministério do Esporte, que faz os repassasses aos professores bolsistas”, conta Marcos Bernardo.
Embora os envolvidos no projeto saibam do alcance das ações do ICP, eles apostam que poderia ser feito mais ainda. “Nosso maior objetivo é atender o maior número possível de pessoas que necessitam de lazer, diversão e conhecimento necessário, seja no esporte, na cultura, na música ou em qualquer outro meio.
Nagla, Wisley, Júnio César e Vanessa são algumas pessoas beneficiadas pelo programa. Eles não conseguem mais se ver fora dos tatames

Tatame lotado com belas histórias

O professor de jiu-jitsu Edson Marques está no projeto há três anos. Em média, ele atende 60 alunos, entre quatro e 50 anos. O bolsista não esconde a satisfação de participar do trabalho. “Minha maior alegria é vê-los aqui, com o tatame lotado. Acho legal a dedicação deles, pois também me dedico muito ao projeto”, diz.
Além das aulas, Edson diz que procura incentivar os alunos no que pode. “Aconselho a eles que lutem sempre, que não desistam nunca. O caminho tem altos e baixos, mas, para atingir os objetivos, é preciso estar preparado física e mentalmente.”
Júnio César Borges Barros, 24 anos, está no ICP há três anos e se diz admirado com a estrutura. “Embora seja gratuito, as condições são muito melhores que em locais onde as aulas são pagas”. Ele faz jiu-jitsu e busca na modalidade disciplina, autoconfiança e respeito.
O lutador acredita que esse tipo de projeto deveria chegar a mais comunidades que precisam. “Se tivesse outros projetos desses em locais carentes seria ótimo, pois quem está aqui sabe que é um local para extravasar, esquecer os problemas lá fora e voltar pra casa sem estresse”.
Destaque
Wisley Roberto Silva Ramalho, 16 anos, entrou no projeto há três anos. No início, fazia capoeira, mas o jiu-jitsu o atraiu. O atleta já contabiliza as conquistas. “Em 2011, participei de dois campeonatos e perdi na primeira rodada. Neste ano, teve a Copa Cruzeiro e fiquei em segundo lugar. No Sesc, em fevereiro, fui à final com um lutador de 34 anos e perdi por uma vantagem. Considero uma grande conquista”.
O jovem faz parte de uma parcela da comunidade que não tem condições de pagar por uma modalidade esportiva. Por isso, considera o projeto muito importante, pois assim como ele, muitos não têm como custear.
Entrar para o projeto ajudou Wisley a superar alguns traumas. Ele afirma ter sofrido bullying durante grande parte da vida. Quando entrou no ICP, sua intenção era aprender algumas técnicas para bater nos meninos que o constrangia. “Quando pensei na luta, queria mesmo era dar uma surra em cada um, mas aqui, aprendi que não é por aí”, revela. E acrescenta: “Também melhorei meu comportamento com minha mãe, dei uma desacelerada”.
A dedicação está rendendo reconhecimento. Wisley Roberto conseguiu um patrocínio com a Foccus Filmes e Filmagens, que vai ajuda-lo a cobrir algumas despesas, que, segundo ele, são muitas.
“Isso tudo que está acontecendo comigo, agradeço muito ao Edson Marques, que me ajuda muito, tanto no tatame quanto na vida pessoal”, diz o atleta.
Mulheres
Vanessa Jane Silva Rodrigues, 20 anos, segue os ensinamentos do mestre. Ela tem muitos planos e usa o jiu-jitsu para ajudar a realiza-los. “Estou aqui há dois meses e pretendo levar adiante. Entrei para aprender defesa pessoal e também porque gosto do esporte”, revela.
Ela estuda para concurso e acredita que o aprendizado na luta também contribui para isso. “Como o jiu-jitsu trabalha muito a superação, me ajuda na vida, pois acho que engloba tudo”.
Cícera Franksnagla, 29 anos, também participa das aulas de jiu-jitsu de Edson Marques. Segundo ela, “o projeto é uma bênção, pois dá oportunidade a muita gente”. Quanto à luta, ela diz não saber viver sem o jiu-jitsu. “É uma satisfação enorme. As aulas são boas e o projeto é maravilhoso e o bom de tudo é que não precisamos pagar por nada”.


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